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BLOG DO FAUSE – O CURIOSO CASO…

28 de janeiro 2009  

Semana que vem minhas aulas recomeçam e aproveitei minha última semana de férias noturnas para assistir ao Curioso Caso de Benjamin Button.

O filme começa mostrando uma criança que nasce velha, com todas as doenças que um corpo pode adquirir no decorrer da vida e que deterioram o corpo até o seu fim, só que logo no nascimento.

Tenho pensado muito em nossa sociedade e em como o envelhecer tem sido encarado.

Parece que se decidiu que o tempo deve ser interrompido.

Existe uma idade ideal, um corpo ideal, uma vida ideal e eu vejo todas as pessoas buscando isso, tentando parar o tempo, fazendo cirurgias, aplicações, dietas, programas em busca da eterna juventude. Obviamente como é impossível parar o tempo, eu as vejo em geral infelizes.

Vejo as pessoas buscando um corpo e não a saúde, buscando uma casa e não um lar.

No filme, logo após o nascimento da criança e a morte da mãe no parto, esse pequeno envelhecido ser é abandonado pelo pai como se fosse uma aberração.

A velhice é abandonada na porta de outra pessoa para que não a olhemos, para fingir que ela não existe.

O filme mostra numa grande metáfora, o tempo passando, a criança crescendo e seu corpo se regenerando. Ela ironicamente é acolhida e cresce num asilo de idosos e vai mostrando paralelamente, as pessoas morrendo e ele crescendo e rejuvenescendo.

Só isso já faria dele um filme para se pensar muito.

Mas claro, existe o amor. O amor da mulher que acolhe essa criança como um filho, dos amigos que se vão, do pai que abandonou o filho, de tantos outros e de uma menina que conheceu um jovem idoso, sabia que ele era diferente e que se apaixonou estranhamente por ele.

A vida os levou a encontros e desencontros até que um dia os uniu. Na metade da vida eles se encontram com idades e corpos iguais e vivem seu amor em plenitude.

Tem juntos uma filha e o desespero toma conta de Benjamim. Ele estava caminhando para o fim da vida… Iria rejuvenescer até voltar a molhar as calças, a desaprender a andar, a falar.

Como ele poderia ser pai dessa menina se seu corpo a cada dia rejuvenesceria?

Como um pai será pai tendo um corpo de irmão, de filho?

Como um filho será filho com um corpo de avô?

Porque é tão difícil nos dias de hoje enfrentar os caminhos da vida?

Porque só damos atenção a um botão de rosa, por que contamos com o seu desabrochar?

Porque só exaltamos o seu esplendor dos primeiros dias de vida? Seu perfume? Sua cor?

Porque não damos atenção às milhares de novas cores que surgem quando começam a amarelar, envelhecer? A seu perfume que fica mais intenso? A suas folhas que enrijecem e retorcem?

Porque não a exaltamos em todas as suas fases? Visto que todas são fases… e não apenas uma delas….

Os cabelos brancos começaram a aparecer muito cedo em mim e é muito estranho lidar com isso. Acho que esse é o único sinal do meu corpo que me causa estranhamento hoje em dia, por que todas as outras mudanças me fazem sentir cada vez melhor.

Costumo dizer que cabelos grisalhos só são lindos nos outros e não em nós mesmos.

E ai penso numa outra grande metáfora do filme… A magia de Hollywood. A maquiagem e a fotografia do filme são inacreditáveis.

Nós vimos os maquiadores se esmerarem a cada dia, a cada filme, em fazer as pessoas envelhecerem e engordarem no cinema, mas como transformaram a Cate Blanchet numa bailarina de 16 anos??? Como fizeram Brad Pitt, uma adolescente???

Eu ficava olhando aquelas cenas e tentando entender, descobrir aquela mágica. Aqueles atores se transformando de 16 a 80 anos de uma maneira inacreditável. Como se pudéssemos parar o tempo. Como se pudéssemos mandar no tempo. Como se fossemos senhores do tempo e pudéssemos decidir que idade ter.

O cinema nos mostra que até isso é possível, mas usa esse poder justamente para nos mostrar que andar para frente ou andara para traz não faz a menor diferença, partimos e seguimos para o mesmo lugar. Um ótimo lugar que precisamos descobrir.

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POR AÍ…

27 de janeiro 2009  

Arte e energia para alimentar a alma…

Esse fim de semana estive no Rio.

Fui em busca de sol, o que para mim é sempre certo no Rio de Janeiro.

Vc pode imaginar o Rio cinza, úmido e triste?

Isso definitivamente é uma imagem que não entra na cabeça de um paulistano como eu…

Mas foi assim que o encontrei…como sou otimista resolvi não abandonar a cidade maravilhosa e esperar o sol chegar.

No final…” tks ao clowdy Day “ usei meu tempo que seria dedicado ao fazer nada na praia e fui ver a exposição do Vik Muniz no MAM.

È uma LINDA exposição.

Muito bem montada mostra o trabalho do artista em várias fases lado a lado, o que nunca havia tido a oportunidade de ver.

Foi interessante entender o porque ele começou a fotografar , a evolução do seu trabalho e os seus porquês. Porquês como interrogações e porquês como respostas.

Nesse “Clowdy Day”, logo no início da exposição me deparo com uma pequena série de nuvens. Nuvens desenhadas no céu com aviões de fumaça e ai fotografadas. Como se fosse possível usar o céu como um papel e desenhar nele de fato. Desenhar uma nuvem…algo que se espera encontrar ali mesmo…mas feita pelo artista.

LINDO!

Como se num pedaço de papel, fosse possível desenhar a textura de um papel.

E era só o começo…ao lado, imagens em fundo infinito de uma nuvem…como se ela tivesse sido isolada, como se fosse possível pegar uma nuvem do céu e aprisioná-la, como se ela virasse um objeto, uma escultura.

Um cachorro, duas mãos que rezam, várias formas ali retratadas…e eram feitas de algodão, delicadamente cuidadas, esculpidas, tratadas para que definissem a forma e assumissem a leveza atemporal de uma nuvem que se desfaz em segundos , mas que ali havia sido aprisionada e imortalizada pelo artista.

E os fios, os arames, as flores, o chocolate, a pasta de amendoim, a geléia, os brinquedos, páginas de revistas, tudo vira material para a construção da obra do artista.

E no final a obra que eu nem sei se seria a mais linda, porque todas são deslumbrantes, mas que eu acho que é muito representativa dos dias de hj… um mapa mundi feito todo de sucata tecnológica.

Sai de lá meio sem palavras, precisando ficar um pouco em silencio para digerir tanta força criativa.

Depois de um almoço verde e um sono da beleza fui a Fundição Progresso assistir ao espetáculo Inveja dos Anjos da Armazém Cia de Teatro.

Conhecia o trabalho da Cia a distância, mas nunca havia assistido a nenhum de seus espetáculos. O tetro é lindo, um espaço super bem montado, (e eu particularmente adoro espaços teatrais que fogem do formato palco italiano) uma platéia não muito grande com uma inclinação considerável, numa sala de grande comprimento, onde os atores usam o espaço todo mantendo o expectador muito integrado à cena.

A peça tem uma cenografia que usa trilhos de trem que se com uma linda parede de tijolos do próprio armazém. Mostra esse trilho por onde passam as vidas, os encontros e desencontros daqueles personagens. Um texto muito delicado e interpretações também muito especiais.

Posso dizer que para um dia cinza eu até que me dei muito bem…

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FH por fause haten no Urbano

23 de janeiro 2009  

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Uma outra forma de amor…

22 de janeiro 2009  

Ontem mais uma história de amor passou pelos meus ouvidos.

No meio do jantar me disseram: E ai quando eu entrei naquele quarto, eu olhei pra ele e disse: Cara, você vai me sacanear muito… Eu tô vendo tudo…

Esse foi nosso primeiro encontro…

Parece que sempre sabemos… Sabemos no primeiro olhar, no primeiro momento, quando sentimos o cheiro.

Mas é inevitável, é quase impossível e afinal porque evitar?

Ninguém tem domínio sobre isso… Um dia o amor chega, ele surge sem controle, sem limites e sem explicação.

Toma-nos de assalto…

Entrei por aquela porta… A mesma porta por onde entro todos os dias era meia noite e meia…

Eu não deveria estar ali, não estava programado… Mas eu mudei de planos e decidi ir…

Entrei e fui pego por traz com duas armas na minha cabeça e uma faca no estomago… perdi o fôlego, fiquei impassível, me senti inerte, impotente.

Fui levado no escuro a um lugar desconhecido, com outras pessoas que eu já havia visto, mas mal conhecia…

Naquele momento algo nos unia, éramos ali vitimas da mesma violência.

De idades e momentos de vida diferentes, todos sofriam com mais ou menos estrutura do mesmo mal.

Pressão, humilhação, desolo, o que fazer? Quando isso vai acabar?

Ai de repente…

Acabou… ele se foi…

Com a mesma violência ele se vai… estava em choque, não sabia o que falar, que dizer, para onde ir.

Não consegui nem gritar, nem chorar, nem de dor, nem de alegria.

Assim o amor chega e assim ele se vai. No tempo em que fica ele pode causar dor, mas também muita alegria, nunca será igual, mas o que é certo é a intensidade, a sua força.

Ai os dias passam e você se refaz, alguns sentem ódio, outros ficam com medo, outros precisam de terapia. Alguns se blindam e se dizem incapazes de amar e outros ainda resolvem se vingar do mundo.

Tenho um grande orgulho de nos dias de hoje conseguir perceber e aceitar quando o amor chega. Ainda que na roleta da vida esse amor às vezes venha escuro, doido, mas esperando sempre pelo amor que chega vermelho, intenso, ou até o claro, calmo e romântico.

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PRA FALAR A VERDADE…

22 de janeiro 2009  

Faz algum tempo parei de ler as criticas em jornais e sites sobre meu trabalho.

Isso às vezes pode parecer arrogância minha, mas foi a forma que encontrei para sobreviver.

Sou uma pessoa que gosta muito de ouvir a opinião das pessoas e em geral até faço isso em excesso.

Interesso-me muito mais sobre as opiniões leigas, informais das pessoas que realmente vão comprar e usar a minha roupa.

Muitas vezes meu trabalho e minha vida foram até impulsionados por isso.

De toda maneira tenho um momento meu após o trabalho onde avalio o processo e chego a uma conclusão sobre ele e isso me basta.

Mesmo assim as pessoas acabam me falando algumas coisas que leram por ai.

Ouvi falar que um jornalista disse que a crise que afetou a marca Fause Haten afetou a minha criatividade enquanto estilista.

Quero dizer que nunca me senti tão vivo, tão criativo e livre e tão afinado com as minhas verdades criativas.

Tenho o maior orgulho da minha trajetória, e convido a qualquer um que tiver coragem a assumir o meu lugar e fazer melhor.

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Style File Blog

21 de janeiro 2009  

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Revista Chiques e Famosos

21 de janeiro 2009  

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CHAMADOS DA ALMA

21 de janeiro 2009  

Fiquei muito feliz com o desfile que apresentei no domingo.

Demoro sempre uns dois dias para me refazer e organizar minhas idéias.

Em geral me sinto nu em cena.

É uma sensação de exposição que incomoda, mas afinal fui eu que me coloquei ali.

Para fazer um desfile eu não viajo para ver tendência, não tenho a menor preocupação com a cor da estação e muito menos com os comprimentos das saias, meu caminho é olhar para dentro e buscar minhas vontades de forma e de expressão, e ai claramente se explica o meu sentimento de alma exposta.

Meus amores, minhas dores e alegrias estão todas lá. Na hora que aquelas meninas estão todas vestidas prontas para entrar e nos segundos antes de eu entrar na passarela no final do desfile, eu vejo um filme na minha cabeça com um resumo desses últimos meses. Acho que deve ser como dizem que acontece antes da morte onde você revê a sua trajetória de vida.

Soldado valente enfrento as câmeras, repórteres e etc. e tento ser o mais didático possível para explicar o inexplicável.

Às vezes acho até que meus desfiles não são feitos para fashionistas (não entendo bem essa palavra…), porque afinal dentro dos meus desejos e verdades, nem sempre eu apresento na passarela aquilo que eles entendem como “novo”.

E afinal o que é realmente “novo”?

Pra falar a verdade eu estou acreditando cada vez mais que o que interessa é a verdade da alma, afinal isso é o novo, visto que num mundo de tanta superficialidade poder se permitir a atender aos chamados da alma, isso sim, é o grande “novo luxo”.

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PRA COMEÇAR…

20 de janeiro 2009  

Pode parecer absurdo, mas apesar de ser ligado 24 hs por dia em celulares e computadores até hj não tinha conseguido começar o meu blog.

As vezes pensava até por que faria um blog, ou mesmo para quem, mas acho que o faço como mais uma forma de me expressar.

Tenho pensado muito nisso e sei que hoje para mim me expressar através das minhas roupas passou a ser pouco. Por isso tenho pesquisado outras formas de expressão ligadas a palavra, corpo e imagem.

Sendo assim, ai vamos nós…

Começo a escrever num dos dias que chamo de DPD… depressão pós desfile .

Não que eu esteja chorando e sofrendo em baixo das cobertas num quarto escuro, muito pelo contrário… estou feliz da vida, após ter feito um desfile lindo, me sentindo mais iluminado do que nunca. Mas esses são dias que após muita correria e trabalho, ficam calmos e quase vazios e por isso quase melancólicos.

Hoje entendo muito essa melancolia e aprendia usá-la a meu favor.

São dias em que cuido de mim, faço coisas que não tive tempo de fazer antes, tomo um sorvete com calma, almoço com uma amiga, e espero até que o próximo ciclo recomece.

Sendo assim escrevo esse primeiro texto com esse sentimento de trabalho cumprido, de paz renovadora e principalmente de agradecimento.

Agradeço pelos amigos que tenho, por ter feito mais esse desfile, por ter tido a parceria da Orquestra de Heliópolis, por ter lançado a minha nova marca FH, por ter uma equipe tão vibrante e leal a minha volta, por ser tão querido pelas minha clientes, por estar cada dia mais forte e ter sobrevivido ao rolo compressor chamado I´M e por estar a cada dia mais feliz!

Estarei aqui escrevendo sempre, escrevendo para não esquecer, e para poder ler um dia e lembrar…

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Revista FFW Mag – janeiro 2009

07 de janeiro 2009  

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